Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007

Suposições

Há coisas que damos por garantidas com demasiada facilidade ou sem apresentar razões suficientes para as apoiar. Eis algumas.

Os humanos têm direitos. (Porquê? De onde vêm esses direitos? São auto ministrados? É uma questão snobismo de espécie?)

Qualquer um tem direito a saúde, comida, casa, etc., mesmo que nunca tenha feito nada, não faça nada, tenha ou faça muito pouco. (Quem fez menos tem os mesmos direitos do que quem fez mais porquê? Por que raio se haveria de dar recursos preciosos a quem nada faz?)

A democracia é o melhor sistema social e político. (Porquê? Porque as alternativas conhecidas são piores? Então já se esgotaram todos os sistemas sociais possíveis? Quem é otário? O otário ou quem pensa que não há otários?)

Devemos ajudar os outros mesmo com prejuízo de nós próprios. (Por que raio haveria isto de fazer sentido? Qual é o ganho em ajudar os outros se isso nos prejudica? Qual é o sentido da doação sem retorno?)

Vale a pena mentir aos putos dizendo-lhes que o Pai Natal é real. (Para quê? Para serem felizes com o engano? Ou talvez para depois crescerem e desiludirem-se com um mundo tramado sem pai natal, sem anjos e sem pessoas veradeiramente boas? Ou talvez para se perpetuar a tradição estúpida de mentiras fantasiosas e sem sentido com o intuito velado de vender mais sucata que de nada nos serve?)

Os amigos juntam-se no fim de ano para cultivar amizades fortes e duradoiras. (Brincam? É raro passarmos mais do que duas ou três passagens com o mesmo conjunto de “amigos”. Aí ao terceiro ano já o conjunto tem elementos substancialmente diferentes e esquecemos os outros que não estão. Uns não podem. Outros não querem. Outros não valem a pena. Hipocrisia é o que não falta. Ah, e tal, vou para o Tibete e não posso passar convosco... E depois descobre-se que o Tibete é um monte no Alentejo – o que faz do Dalai Lama um presunto, talvez...)

O que é nacional é bom. (Poupem-me! Nem me vou cansar)

Saramago é o maior (Poupem-me! Ninguém, ou quase, conhece o tipo lá fora! Mas toda a gente conhece Cervantes, por exemplo. A diferença entre o Saramago e o D. Fonseca para um escocês é o valor que damos a um e o desvalor qur atribuimos ao outro -- pelo menos eu. E depois vêm com aquela história: Se o Saramago fosse inglês. Bolas! Se fosse inglês ainda ficaria a dever muito em talento à maioria dos ingleses, essa é a verdade).

Só o que é internacional é bom. (Duh! Vão à china e voltem).

O Bush é estúpido. (Ai é? Está bem. Mas é presidente da nação mais poderosa do planeta. Deixa-me curioso como um parvo chega a deter a posição mais importante do mundo político internacional sem ter uma pontinha de inteligência. Os espertos lá saberão. Principlamente os espertos que não têm ponta por onde se lhe pegue e não dão uma para a caixa)

Enfim, suposições. Poupem-me!

Estou: Incisivo
Sonoro: Fortunate Fool - Jack Johnson
Filosofado por No mercy às 20:56
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